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11/01 - Falta remédio para tratar câncer


Por  Sincofarma MG  Postado 17/01/2017

Desde dezembro está em falta no Hospital das Clínicas de Belo Horizonte um medicamento usado em quimioterapia para adultos e crianças, chamado “methotrexate” ou “metotrexato”. Pelo menos uma criança de 8 anos e um adolescente de 17 estão sem tratamento adequado para o câncer. Outra criança, de 10 anos, teve sua cirurgia antecipada para tentar reduzir os efeitos da falta do remédio usado no tratamento oncológico, mas terá que fazer sessões de quimioterapia depois. O número de pacientes prejudicados só não é maior porque, até a semana passada, o HC tinha conseguido doses emprestadas com a Santa Casa da capital e com o hospital Alberto Cavalcanti, da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig).


O desabastecimento, de acordo com o Hospital das Clínicas, “é consequência dos atrasos na entrega do medicamento pela empresa Accord Farmacêutica/Hytas Accord, contratada por meio de pregão eletrônico”. A instituição afirma que o pagamento está em dia, mas a entrega, não. Desde dezembro, deixaram de ser fornecidas 1.220 unidades do remédio.

A Accord Farmacêutica foi procurada pela reportagem, nessa segunda-feira (9) e terça-feira (10), por meio do telefone e do e-mail que estão em seu site, mas ninguém atendeu as ligações nem retornou o contato via correio eletrônico. O site está em reformulação e não tem nenhuma outra informação além dos dados de contato.

Essencial. O methotrexate é uma droga usada no tratamento de adultos e crianças com alguns tipos de câncer, como leucemia, linfoma e osteossarcoma (tumor ósseo maligno comum na infância) e não tem substituto. A falta do medicamento, mesmo que por um espaço curto de tempo, reduz as chances de cura dos pacientes, adverte o oncologista diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Jacques Tabacof.

“As leucemias e linfomas são doenças muito agressivas, e o tratamento tem que ser rápido”, explicou. Ele diz que os protocolos especificam a quantidade e a periodicidade das drogas a serem usadas em cada situação. “O ideal é usar todas as drogas que o protocolo recomenda, respeitando as doses e intervalos indicados”, afirma.

O espaço entre as sessões de quimioterapia varia de acordo com o tipo de tumor, mas costuma ser de duas a três semanas.

Tabacof diz que o methotrexate é uma droga essencial e afirma que, quando ele está em falta, a quimioterapia é feita sem ela, mas não com o mesmo resultado. “Quando tira o remédio, diminui a eficácia do tratamento”, pondera.

Notificação. O Hospital das Clínicas diz que, no dia 20 de dezembro do ano passado, advertiu a Accord Farmacêutica por escrito “das consequências advindas dos atrasos, que prejudicam a eficiência e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes”. Na ocasião, o fornecedor prometeu regularizar a entrega no dia 30 de dezembro, o que não aconteceu. A nova previsão para entrega é esta quinta-feira (12).

Quando o fornecimento se normalizar, o HC irá devolver para a Santa Casa e para o Alberto Cavalcanti as doses emprestadas.

Normalizado. A Santa Casa e o Alberto Cavalcanti informaram que têm recebido o medicamento regularmente e que estão com estoques suficientes para atender à própria demanda.


DEMANDA

Santa Casa. A instituição realiza cerca de 1.880 sessões de quimioterapia por mês. O hospital atende adultos e crianças.

Alberto Cavalcanti. É o único hospital da Fhemig que utiliza o methotrexate. A unidade atende apenas adultos e realiza, em média, 886 sessões de quimioterapia por mês.

Hospital das Clínicas. Por mês, a unidade de saúde usa o methotrexate em cerca de 20 a 30 sessões de quimioterapia por mês. A unidade atende adultos e crianças.


COMPRAS

Pregão para substituir fornecedora foi feito

O Hospital das Clínicas da capital já realizou um novo pregão eletrônico para substituir a Accord Farmacêutica como fornecedora do methotrexate. O resultado deve ser homologado até o fim do mês. O HC deve desembolsar cerca de R$ 528 mil no período de um ano. O contrato com o atual fornecedor também tinha duração de um ano e já iria se encerrar no fim de janeiro.

Cada frasco de 1 g do medicamento custa cerca de R$ 35. A dosagem usada em cada sessão de quimioterapia varia de acordo com o perfil do paciente (peso, idade, tamanho, tipo de tumor). Em uma criança ou adolescente com osteossarcoma, por exemplo, podem ser usados até 20 g em cada sessão. Em crianças com linfomas e leucemia, a dosagem varia de um a sete frascos por ciclo, também dependendo do perfil do paciente.

Em adultos, a dosagem é maior do que a usada em crianças e adolescentes.

O Hospital das Clínicas pegou emprestados 135 frascos do methotrexate com a Santa Casa de Belo Horizonte e o hospital Alberto Cavalcanti. As doses serão devolvidas logo que o abastecimento no hospital for normalizado.


DISTRIBUIÇÃO

Desfalque na Farmácia de Minas

A Farmácia de Minas, que distribui os remédios prescritos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), continua sem pelo menos quatro medicamentos usados no tratamento de doenças graves. Em dezembro, O TEMPO mostrou que dez drogas estavam em falta, entre elas algumas usadas no tratamento de insuficiência renal, lúpus e outras doenças.

O caso mais grave é do sacarato de hidróxido de ferro, que ainda não foi comprado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). De acordo com a pasta, o problema ocorre devido “à escassez de recursos financeiros disponíveis à SES-MG”, que não consegue pagar os fornecedores. O medicamento só é entregue depois do pagamento.

Para outros três remédios – gabapentina 400 mg, gabaneurin e atorvastatina 20 mg – a SES informa que está aguardando a entrega pelo fornecedor. O lamotrigina 100 mg está em distribuição, mas em “quantitativo parcial, devido ao estoque reduzido”.

Outros três medicamentos citados na reportagem de dezembro – ciprofibrato 100 mg, ambrisentana 10 mg e alfaepoetina 1.000 UI – já estão sendo distribuídos em todas as regionais, segundo a SES.

A compra do alfaepoetina 4.000 UI já foi solicitada pelo Estado ao Ministério da Saúde, e o alendronato 70 mg é de responsabilidade da Prefeitura de Belo Horizonte.

Fonte: O Tempo