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14/02 - Falta de remédios contra rejeição de órgãos deixa transplantados sob risco


Por  Sincofarma MG  Postado 17/02/2017

Milhares de pacientes que fizeram transplante no Ceará agora enfrentam uma nova batalha para continuar vivos. Eles lutam para conseguir os remédios que evitam a rejeição do órgão transplantado. De 14 medicamentos desse tipo, seis estão em falta.

Eles passaram pela mesma angústia da espera por um órgão. Compartilharam a vitória de conseguir o transplante. Agora, dividem o desespero de não ter à disposição o medicamento necessário para viver.

"É um drama para nós. Nós já temos pessoas aqui sem tomar medicação, podendo vir à morte”, disse o transplantado Jônatas Cabanelas.

Mais de 3.600 pessoas precisam dos chamados imunossupressores no Ceará, mas desde dezembro pelo menos seis, dos 14 tipos do medicamento, estão em falta no estado.

Os transplantados dependem do governo para receber esses medicamentos que não são vendidos em farmácia, custam de R$ 2 mil a R$ 7 mil e precisam ser consumidos todo dia para o resto da vida. São eles que vão ajudar a impedir que o órgão recebido seja rejeitado pelo corpo.

Alguns pacientes também estão sem o 'Lípitor', um remédio que reduz os efeitos colaterais dos imunossupressores. Todos esses medicamentos devem ser retirados gratuitamente nos próprios hospitais onde o transplante foi realizado.

A Maria de Jesus Moraes da Hora, que depois de dois anos de espera recebeu um novo pulmão, já está há dias sem o remédio. "O que adianta a gente fazer o transplante com tanta dificuldade e na hora não ter a medicação para gente continuar vivendo, né?", afirmou a transplantada.

Os transplantados tentam se ajudar. Quem usa dosagem menor doa para quem precisa tomar mais comprimidos por dia.

"Não vai resolver o problema. Tira de um, dá para o outro, fica faltando para o que deu”, disse o presidente da Associação dos Transplantados do Ceará, Raimundo Barroso Filho.

A transplantada Ivani Maria dos Anjos Arcanjo, que veio da Bahia para um transplante de coração, está recebendo doação de outra paciente.

Ivani: Eu recebi 25 comprimidos, que dá para mais ou menos três dias, porque eu tomo oito por dia.
Bom Dia Brasil: E depois dos três dias?
Ivani: Eu não sei o que vai acontecer.

Alguns médicos estão substituindo o imunossupressor em falta há mais tempo por outro que ainda é encontrado em alguns hospitais.

"Isso aí não é recomendável: você ficar mudando de imunossupressor, principalmente com aqueles pacientes que são aderentes ao tratamento, têm uma boa qualidade de vida", explicou o cardiologista João David de Souza Neto.

No ano passado, Leonardo Lima Pereira experimentou outro remédio quando o medicamento dele faltou. O corpo não reagiu bem. “Eu passei quase três meses internado e correndo o risco de não reverter a rejeição, de eu até vir à óbito", contou o transplantado.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que é responsável pela compra de quatro, dos seis tipos de imunossupressores que estão em falta no Ceará. O Ministério afirmou que eles estão sendo distribuídos normalmente, mas o secretário-adjunto de Saúde no estado, Marcos Gadelha, disse que a quantidade recebida é menor do que o número de transplantados.

"O estado do Ceará está absorvendo demandas até de outro estado, porque quando você passa a ser referência, você assume a responsabilidade de toda essa demanda também. Existe essa dificuldade dessa programação exatamente por esse descompasso do que o Minsitério da Saúde enxerga, do que é que ele tem que fornecer e o que a demanda acontece”, explicou.

O secretário-adjunto de Saúde disse também que vai regularizar a entrega desses medicamentos nas próximas semanas. Já em relação ao medicamento "Lípitor", a Secretaria de Saúde informou que está oferecendo aos pacientes outros remédios que tem o mesmo princípio ativo. O Ministério da Saúde disse que esse medicamento é de responsabilidade do estado.

Fonte: G1