Notícias

+ Notícias

15/07 - SUS não irá mais fornecer medicamento Avonex para o tratamento de esclerose múltipla


Por  Sincofarma MG  Postado 20/7/2016

O Ministério da Saúde decidiu não fornecer mais gratuitamente o Avonex (betainterferona 1a de 30 mcg) para novos pacientes da doença, mantendo apenas o fornecimento para aqueles que já usam (cerca de 3.000 pacientes atualmente). O medicamento é a única terapia na primeira linha de tratamentos com aplicação única semanal, o que representa benefícios para o paciente, especialmente relacionados à sua aderência e comodidade. Há 12 anos, o medicamento está disponível no SUS e tem enorme aceitação de pacientes e comunidade médica, sendo um dos medicamentos mais prescritos para o tratamento da doença.

A decisão foi feita à revelia da opinião pública e dos interesses dos pacientes, já que foi contra a manifestação feita em Consulta Pública no ano passado por cerca de 4.800 pessoas, sendo 95% delas favoráveis à manutenção do medicamento.

Não fornecer mais o medicamento gratuitamente pelo SUS é um retrocesso, já que limita as opções terapêuticas para pacientes e médicos e priva novos pacientes de se beneficiarem desta importante terapia, uma das mais prescritas atualmente para pacientes recém diagnosticados. O tratamento da esclerose múltipla, em especial, requer que o médico tenha alternativas terapêuticas adequadas aos diferentes perfis de pacientes, já que deve levar em conta a individualidade de cada um deles. Muitos não se adequam ao medicamento inicial, tendo que passar por outros até achar aquele que barre a progressão da doença.

A paciente Sara Ferreira, por exemplo, passou por 3 medicamentos desde que descobriu ter uma forma severa da doença em 2011, até se adequar ao que usa atualmente. O caminho percorrido deixou como sequela alguns comprometimentos motores que poderiam ser evitados se ela tivesse achado o medicamento certo desde o começo.

O arsenal terapêutico é tão importante que recentemente o Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa de Esclerose Múltipla (BCTRIMS) submeteu à Secretária da Saúde a sugestão de um novo protocolo de tratamento para a doença a fim de oferecer terapias mais potentes como primeira linha para pacientes com manifestação muito ativa da doença.

Fonte: A crítica