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21/12 - ‘Folha artificial’ funciona como fábrica de remédio abastecida pelo Sol


Por  Sincofarma MG  Postado 22/12/2016

RIO — Um dos problemas que profissionais de saúde enfrentam para o tratamento de doenças em vilarejos e cidades isoladas é o acesso ao medicamento. Para resolver essa questão, cientistas holandeses desenvolveram um “folha artificial”, que pode servir como uma mini fábrica de remédios em qualquer lugar, necessitando apenas de luz solar para funcionar.

— Teoricamente, você pode usar esse aparelho para produzir compostos de drogas com energia solar em qualquer lugar que quiser — disse à Reuters Timothy Noel, pesquisador da Universidade Eindhoven de Tecnologia e líder da pesquisa publicada nesta quarta-feira no periódico “Angewandte Chemie”.

O dispositivo imita a habilidade das plantas de transformar a luz solar em energia, pelo processo da fotossíntese. A indústria química sofria para alcançar essa solução porque, normalmente, placas de captação geram pouca energia, insuficiente para abastecer reações químicas.

A “folha artificial” holandesa reproduz a eficiência da natureza no aproveitamento da radiação solar usando um novo material chamado Concentrador de Luminescência Solar (LSC, na sigla em inglês), que possui canais muito finos pelos quais um líquido é bombeado, expondo as moléculas à luz.

Dessa forma, Noel acredita ser possível que, no futuro, medicamentos contra a malária possam ser produzidos no meio da floresta ou até em Marte, em futuras missões espaciais. O dispositivo é feito com silicone e pode operar até mesmo com luz difusa, como em ambientes fechados ou em dias nublados. Entretanto, ainda é preciso mais desenvolvimento para tornar o dispositivo comercialmente viável.

Como o aparelho possui microcanais para expôr os elementos químicos em contato direto com a luz solar, cada unidade precisa ser pequena, com baixa produtividade. Contudo, Noel afirma que eles podem ser unidos para aumentar a produção.

— Você pode fazer uma árvore com muitas e muitas folhas diferentes funcionando em paralelo — disse Noel. — Elas são muito baratas para produzir, então existe muito potencial.

Fonte: O Globo