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25/07 - Pacientes sem dinheiro recorrem a grupos de doação de remédios


Por  Sincofarma MG  Postado 25/7/2016

Descobrir uma doença e se deparar com os altos custos dos medicamentos, faz com que algumas pessoas busquem grupos de apoio, de doação e de troca de remédios. Esta conduta, porém, é desaconselhada por profissionais da área da saúde. Se por um lado existe a necessidade, por outro estão os cuidados com a manipulação deste tipo de produto.

“Essas doações, provavelmente, envolvem medicamentos violados, ou seja, embalagens abertas. E uma vez que a embalagem já está aberta, quem é responsável por ela?”, questiona a chefe da Vigilância Sanitária de Produtos do Paraná, Érika Feller. 

Em caso de dificuldade financeira, Feller sugere que as pessoas procurem programas dos governos estadual e federal que disponibilizam alguns medicamentos, principalmente, os de uso contínuo.

“É lógico que a saúde pública não é perfeita, existe muito para melhorar ainda. As pessoas que trabalham nas secretarias municipais e estaduais, na Anvisa e no Ministério da Saúde estão sempre buscando meios de proteger e promover a saúde das pessoas. Não é à toa que nós indicamos que as pessoas não realizem essas doações.”

Todavia, as cidades estão repletas de exemplos de pessoas que se medicam graças às doações.


A atitude ganhou dimensão ainda maior com a expansão das redes sociais.

A vendedora Aneise Santos, de 32 anos teve três abortos espontâneos em virtude da trombofilia – doença que forma coágulos dentro das veias e artérias do corpo. Essem coágulos podem interromper a circulação sanguínea em alguns momentos.

Agora, grávida pela quinta vez (Aneise tem uma filha de 16 anos cuja gravidez transcorreu sem problemas), ela recorreu a um grupo de doação criado no Facebook para conseguir os 12 remédios que precisa tomar diariamente.

“Não tenho tanta condição. É uma despesa muito alta com medicamento. Se todo mundo ajudar uns aos outros, por que não doar, não pedir? Às vezes vai tudo para o lixo”, disse Aneise que contou que além de receber também doa medicamentos.

O marido de Aneise trabalha na área de telecomunicações, e ela conta que os gastos com os remédios pesariam consideravelmente no orçamento familiar.

Seriam, segundo ela, aproximadamente R$ 600,00 por mês. Além destes medicamentos, a vendedora toma duas injeções por dia que conseguiu obter via plano de saúde. Cada dose, afirma a vendedora, custa R$ 168,00.

“Pela gravidez ser de alto risco a gente teria que dar um jeito, se virar e comprar, nem que fosse com a ajuda de parentes, mas a gente achou essa opção”, comentou.

A vendedora tem consciência da orientação de profissionais da saúde, que desaconselham doação de medicamentos.

Ainda assim, avalia essas iniciativas de troca e doação devem continuar.

“Eu já ouvi falar sobre isso, mas quando o medicamento chega, todo mundo dá uma olhada. Vê se não está aberto. Às vezes, a gente consegue doação de caixa de remédio fechada e nova. A pessoa nem usou, comprou e depois não teve como trocar na farmácia”.

Aneise disse que nos dois primeiros abortos não sabia da doença e no terceiro a dosagem receitada foi baixa. “Agora, estou me sentindo muito bem... Estou ansiosa pela chegada do Tomaz”.

Os cuidados
A chefe da Vigilância Sanitária de Produtos do Paraná, Érika Feller, afirma que quando alguém compra um medicamento na farmácia, seja ele comprimido, frasco ou pomada, verifica se o produto está lacrado.

Desta forma, caso ocorra qualquer problema, o consumidor pode levar o medicamento ao local e solicitar uma notificação ou ainda procurar as autoridades competentes. Além disso, Feller aponta outros aspectos que podem ser desconhecidos pelo pacientes.

“Alguém que vai doar não vai poder exigir uma receita de quem ela está doando. É complicado porque ela pode ter condição de saúde que a impeça de fazer uso desse medicamento e ela nem sabe. A utilização de outros medicamentos e até substâncias naturais podem interagir com os medicamentos. É complicado agir assim”, argumentou.

A questão da armazenagem é de extrema relevância, segundo Feller.

Quem não tem aquela cartela, aquele frasco, aquela pomada pela metade guardada em uma gaveta de casa ou até mesmo no banheiro? Este hábito comum entre diversas famílias merece atenção, de acordo com a Vigilância Sanitária.

“É sempre recomendado que o medicamento seja armazenado em local seco e livre de calor. E o banheiro não é livre de calor e seco, de modo geral. Se a embalagem lacrada é armazenada em local inadequado, é muito complicado. Por isso, quando você adquire na farmácia, você parte do princípio de que estava armazenada de maneira correta”.

Farmácias devem receber os remédios
A lei estadual 17.211/2012 estabelece o descarte correto de medicamentos. As empresas fabricantes, importadoras, distribuidoras e revendedoras ficam responsáveis pela destinação adequada deste tipo de produto.

Pelo texto, esses estabelecimentos são obrigados a aceitar a devolução das unidades usadas, vencidas ou inservíveis.

“As caixinhas e as bulas, por exemplo, são papel e papelão e podem ser recicladas, desde que não estejam molhadas. O medicamento em si, a cartela de medicamento, o vidro que contenha xarope, a embalagem que contenha pomada, gel ou creme – aquilo que fica em contato direto com o medicamento – devem retornar às farmácias para que seja feita esta logística reversa”, esclareceu a chefe da Vigilância Sanitária de Produtos do Paraná.

A Secretaria de Saúde do Paraná, segundo Feller, vai realizar campanhas para a conscientização do descarte correto de medicamentos e também para sensibilizar as farmácias para receberem as embalagens.

Fonte: G1