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27/07 - Vacina para prevenir câncer de colo de útero sobra nos postos de saúde


Por  Sincofarma MG  Postado 28/7/2016

A vacina que pode prevenir um dos tipos mais graves de câncer está sobrando nos postos de saúde. Nem metade das meninas brasileiras se imunizaram contra o HPV. Apenas 43% receberam a segunda dose da vacina.

Os pais até levam as filhas para tomar a primeira dose. Nesse caso, a procura por vacinas chega a 70%. O problema é que não voltam aos postos de saúde para que as meninas tomem a segunda dose. O câncer de colo de útero é um dos com maior incidência em mulheres.

O câncer de colo do útero pode matar. O Instituto do Câncer, INCA, estima que mais de 5 mil brasileiras devem perder a vida, só este ano, vítimas da doença. Esse número pode diminuir muito nos próximos anos por causa da vacina contra o vírus HPV, que está disponível nos postos do SUS de todo país desde 2013 para meninas que têm entre 9 e 13 anos. Atualmente a vacina é aplicada em duas doses, com intervalo de seis meses entre elas.

Até hoje, 5,3 milhões meninas foram imunizadas, mas está sobrando vacina em muitos postos do país. Este ano a procura pela vacina está bem abaixo do esperado. Até março, menos de 70% das meninas entre 9 e 13 anos apareceram para tomar a primeira dose. Agora o retorno está ainda pior, menos de 50% das meninas voltaram para receber o reforço.

Em um posto, que fica na região central de Brasília, na terça-feira (26), ninguém foi vacinado contra o HPV. Em julho, 30 doses foram aplicadas, só seis de reforço. A enfermeira chefe diz que está ligando para as mães que deixaram telefone de contato para pedir que elas levem as meninas para tomar a segunda dose.

A Camila tem 10 anos e ainda não tomou a vacina. Ela conta que tem um pouco de medo de sentir dor, mas diz que as amigas que tomaram não reclamaram muito, não. “Elas só falaram que doeu um pouquinho a vacina, como dói mesmo, mas nada como caso extremo. assim, normal”, afirmou Camila Florêncio.

A Gracy, mãe da Camila, diz que ano passado a escola dela ofereceu a vacina, mas ela tinha dúvidas sobre a necessidade de imunizar a filha, que só tinha 9 anos.

“A gente acabou ficando insegura de autorizar a vacina nela, porque a gente viu coisas a favor, coisas contra”, declarou a pedagoga Gracy Florêncio.

O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica explica que as reações à vacina contra o vírus HPV são as mesmas de outras vacinas. Febre, dor no braço, normalmente sem nenhuma consequência grave. “O número de reações alérgicas que se tem com essa vacina é um número muito pequeno se comparado ao benefício que ela produz. Se a gente não fizer o trabalho hoje, daqui a dez, 20, 30 anos, vai estar lidando com o mesmo problema, perdendo milhares de vidas para o câncer de colo de útero no Brasil”, afirmou Gustavo Fernandes, presidente da Associação.

Mais de 6 milhões de meninas entre 9 e 13 anos não foram vacinadas ainda. O Ministério da Saúde alerta que a imunização não substitui a realização do exame preventivo.

Fonte: G1