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28/06 - PE volta a exportar remédio para Doença de Chagas após dois anos


Por  Sincofarma MG  Postado 30/6/2016

A partir deste mês, o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco (Lafepe) volta a exportar o Benznidazol, medicamento usado para o tratamento da Doença de Chagas. Segundo o órgão, o produto passa a ser comercializado para oito países do continente americano, depois de dois anos de espera por um certificado de qualidade. O Lafepe é o único laboratório público do mundo que produz o remédio. Com isso, a instituição espera arrecadar por ano mais de R$ 1,2 milhão.

Atualmente, o medicamento é distribuído no Brasil para todos os estados e empregado na assistência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesta terça-feira (28), o Lafepe encaminha ao Ministério da Saúde, em Brasília, o primeiro lote fabricado este ano, contendo 250 mil comprimidos.

Transmitida pelo protozoário Trypanosoma cruzi por meio de um inseto conhecido como barbeiro, a infecção é bastante comum nas Américas Central e do Sul, principalmente em áreas rurais. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que entre 2 e 3 milhões de pessoas estejam infectadas. Caso o paciente não tome a medicação, a doença pode se tornar crônica, com consequências para o resto da vida.

“O desafio é diagnosticar a doença na fase aguda. Se você não consegue diagnosticar nessa fase, pode ter sequelas principalmente gastrointestinais. O esôfago fica grande e flácido, atrapalhando a deglutição, e os alimentos ficam com dificuldade para passar para o estômago, provocando um entalo”, explica o médico infectologista Vicente Vaz.

Até 2014, o laboratório já vendia o Benznidazol para organismos internacionais, como a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e o Médicos Sem Fronteiras (MSF). Porém, o governo do estado teve de interromper a exportação quando essas entidades passaram a exigir a Certificação de Boas Práticas de Fabricação (CBPF), documento concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que atesta a qualidade do processo de produção de um medicamento.

Dois anos depois, o Lafepe conseguiu o certificado no início deste mês. O diretor comercial do laboratório estadual, Djalma Dantas, diz que a demora para obter a declaração se deve ao processo para o órgão se adequar aos critérios impostos pela agência.

“É uma série de exigências que está sempre se atualizando. Uma vez adquirindo isso (o documento), esses países nem fazem restrições para a entrada do nosso produto. Já temos solicitações da Bolívia, Colômbia, Venezuela, Paraguai, México, Honduras, Argentina e Estados Unidos”, informa o diretor comercial.

Com a volta das exportações, o órgão pretende arrecadar US$ 380 mil, valor que hoje equivale a aproximadamente R$ 1,262 milhão. “No mundo, só um laboratório privado da Argentina vende por um preço três vezes superior. Por isso, toda essa demanda deve ser atendida pelo Lafepe”, afirma Dantas.

A medicação não é comercializada diretamente para os pacientes. No Brasil, o remédio é distribuído no Sistema Único de Saúde (SUS) pelo governo federal, que compra o produto da Lafepe. O mesmo procedimento acontece nos outros países.

Fonte: G1