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30/06 - Luz no combate a infecções decorrentes de diabetes


Por  Sincofarma MG  Postado 01/7/2016

A Beone Technologies, startup fundada por pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE), se prepara para lançar no mercado um tratamento que utiliza a radiação da luz para curar infecções causadas por bactérias resistentes a antibióticos.

O objetivo é dar alívio a pacientes que sofrem com feridas de difícil cicatrização, como as causadas por diabetes. Mais eficiente e barato que o tratamento convencional, o método é usado em conjunto com uma pomada cicatrizante desenvolvida na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), de São Paulo. Assim, proporciona em 15 dias a cura de feridas expostas há até dois anos, e sem risco de efeitos colaterais, afirma o cofundador Caio Guimarães.

A ideia surgiu em 2014, quando o cientista fazia estágio no Wellman Center, laboratório especializado nos efeitos da luz sobre a saúde humana, ligado à Universidade de Harvard e ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Lá, participou de um grupo que estudava como matar bactérias resistentes em 62 minutos, usando apenas frequências de luz. O equipamento ocupava espaço e era caro: cerca de US$ 50 mil. Além disso, não se mostrou eficaz nos tecidos mais profundos de pele.

Pensando em uma versão mais eficiente e acessível, Guimarães desenvolveu uma espécie de lanterna de LED com microagulhas de fibra ótica. O protótipo emite o mesmo feixe de luz do equipamento grande, mas é capaz de penetrar nas partes mais difíceis do tecido - e custou apenas US$ 30.

De volta ao Brasil, o jovem pesquisador, eleito no ano passado pela revista Forbes como um dos 30 brasileiros abaixo de 30 anos mais influentes no País, resolveu dar andamento ao projeto com o reforço de um time de professores pesquisadores da UPE. Juntos, ajustaram o foco e começaram a trabalhar na adaptação da tecnologia para o tratamento de doenças e infecções.

Como ponto de partida, decidiram tratar complicações de diabetes, como as feridas de difícil cicatrização - uma das principais causas de amputações nos pacientes.

Cada tipo de infecção demanda uma exposição de luz diferente. Por isso, o grupo se concentrou inicialmente em um único problema de saúde para estruturar a startup. A ideia é, posteriormente, desenvolver versões aplicáveis no tratamento de outras doenças.

Na prática

Pesquisas comprovam a reação de determinadas bactérias quando expostas a diferentes intensidades de luz. Segundo Guimarães, a luz azul, por exemplo, produz um efeito mais bactericida, e a vermelha tem capacidade de modular a biologia das células e promover uma regeneração.

Para o presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, Fadlo Fraige Filho, embora o estudo sobre os efeitos da luz no combate a bactérias não seja algo novo, a proposta da Beone de adaptar o processo para que se torne comercial e acessível é válida. "O método é um excelente apoio para o tratamento de úlceras diabéticas e varicosas, além de ser muito mais barato se comparado com alternativas como tratamentos com hormônios", diz o especialista, que é professor titular de endocrinologia da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC, São Paulo.

Impacto social

A Beone foi concebida para ser um negócio social, ou seja, uma empresa autossustentável, que oferece produtos e serviços que visam solucionar problemas da população de baixa renda que o poder público não resolve sozinho. "Não queremos criar uma empresa apenas para vendê-la depois. Queremos melhorar e salvar vidas", afirma Guimarães.

No plano da startup está, primeiramente, disponibilizar máquinas em hospitais para tratamento em grande escala. O primeiro protótipo deverá ficar pronto em agosto de 2017 e os primeiros pacientes tratados serão do hospital Agamenon Magalhães, em Recife.

Numa segunda etapa, a equipe pretende desenvolver um produto que possa ser usado em casa, pelo próprio paciente. Isso pode levar alguns anos, já que a aprovação de um equipamento desse tipo seria condicionada a testes e análises de diversos órgãos.

Ambição global

A empresa foi lançada na edição deste ano da Campus Party e agora segue em aceleração pela Yunus Negócios Sociais Brasil. "Com o projeto rodando dentro de hospitais, usaremos o lucro do tratamento das feridas para investir em mais pesquisas e mais tecnologias para a cura de outras doenças", diz Guimarães.

O CEO da Yunus Negócios Sociais Brasil, Rogério Oliveira, diz que a startup tem potencial para se tornar o primeiro grande negócio social global com origem no Brasil. "Acreditamos que, em alguns anos, possa não só estar ocupando bastante o mercado brasileiro, mas se tornando também uma empresa global, com uma solução de impacto social para o mundo todo a partir do Brasil", diz. A BeOne espera criar até versões que possam ser utilizadas em outras áreas, como a indústria de bebidas. Guimarães diz que a luz poderia substituir, por exemplo, antibióticos usados no controle da fermentação da cachaça, proporcionando ao produtor uma economia significativa de recursos.

 

Fonte: CFF - Conselho Federal de Farmácia