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LÁZARO LUIZ GONZAGA: EXPERIÊNCIA SINDICAL A SERVIÇO DO COMÉRCIO


 

Natural de Coromandel (MG), 58 anos, casado, três filhos, Lázaro Luiz Gonzaga, assumiu a presidência da Federação do Comércio de Minas Gerais (Fecomércio) em agosto. Comerciante do setor farmacêutico – drogaria e perfumaria – Lázaro Gonzaga substituiu Renato Rossi, que durante 25 anos dirigiu a entidade. Lázaro fala de seus planos para a Fecomércio e sobre o relacionamento com o setor supermercadista, com destaque para o diálogo permanente com a Associação Mineira de Supermercados (AMIS). Confira os principais itens da entrevista concedida por Gonzaga ao repórter Adenilson Fonseca, da revista GÔNDOLA

GÔNDOLA – Qual a relação do senhor com a Fecomércio antes de ser eleito presidente?
Lázaro Luiz Gonzaga – Tenho muito apreço pelas entidades de classe. Sou frequentador delas há muito tempo, antes mesmo de ter minha empresa. Comecei buscando orientações. Minha afinidade com o sindicalismo desenvolveu-se naturalmente, através da busca de soluções para os problemas do setor farmacêutico. Daí para atuar na Federação foi algo natural, uma extensão complementar da minha condição de presidente do Sincofarma Minas. Participo da Federação do Comércio desde o final da década de 1970, mesmo sem ter cargo oficial. Passei a participar efetivamente a partir dos anos 80. E, desde então, tenho acompanhado e colaborado com o presidente Renato Rossi, durante todos seus 25 anos de mandato.

GÔNDOLA – Quais são as metas do senhor à frente da Federação?
Lázaro – Colocar o Sistema Fecomércio, Sesc, Senac Minas como presença e interação junto aos seus representados, em todo o Estado, juntamente com os Sindicatos Filiados.

GÔNDOLA – A entidade que o senhor vai presidir é uma das mais tradicionais entidades de classes do nosso Estado, com mais de 70 anos de existência. O que ainda precisa ser feito por ela?
Lázaro – A Fecomércio Minas completa 72 anos de sua criação, em 4 de dezembro de 2010. A instituição tem prestado, juntamente com os Sindicatos Filiados, relevantes serviços à comunidade empresarial do comércio de bens, serviços e turismo, aos colaboradores das empresas e a seus familiares, através de Sesc, Senac, que são os seus complementos sociais, mantidos pelas empresas. Porém, o sindicalismo vem passando por muitas transformações, tanto nas bases econômicas, quanto nas laborais. O sindicalismo exerce seu principal papel de mediar a relação capital e trabalho e defender o direito de empreender com mais justiça e segurança. Devemos fazer com que este trabalho seja melhor percebido pelos representados e pelos poderes constituídos.

GÔNDOLA – A Fecomércio congrega associados das mais diversas atividades. Como é trabalhar com uma diversidade tão grande de interesses?
Lázaro – O sindicalismo constitui um sistema associativo compulsório, diferente das associações civis ou espontâneas. Nas associações compulsórias, as lideranças extraem a força classista das diferenças, devido ao ecletismo de seus associados. Nas associações espontâneas, as forças são extraídas das semelhanças, porque só semelhantes, agrupam-se de maneira natural. Por isto, as associações sindicais são um pouco mais tensas. É aí que está o segredo de produzir a energia transformadora, habilidade que as lideranças sindicais vem desenvolvendo ao longo do tempo.

GÔNDOLA – A sua entidade sempre teve uma relação muito próxima com a Associação
Mineira de Supermercados (AMIS), também com muita tradição e representatividade. O senhor pretende manter essa relação com a entidade “co-irmã”? Como será esse trabalho?
Lázaro – Já ouvi dizer, através dos entusiastas das duas entidades, que o Sistema Fecomércio, Sesc e Senac Minas colaborou com o nascimento da AMIS. E até os dias de hoje, as duas entidades se mantêm parceiras nos objetivos comuns. A Fecomércio é uma entidade de associação compulsória e a Amis espontânea, cada qual com suas especificidades e generalidades complementares entre si, em suas ações e objetivos, tendo o desenvolvimento econômico como plataforma para o desenvolvimento social. Os dirigentes das duas entidades têm a exata dimensão das potencialidades e responsabilidades que representam. Baseado nisto, certamente faremos do diálogo e da cooperação, ações contínuas que produzirão a sinergia necessária aos bons resultados. Trabalharemos em conjunto, em prol do segmento de gêneros alimentícios, com afinco e dedicação.

GÔNDOLA – O comércio vem sendo um dos pilares do crescimento econômico do País.
Que ações o senhor acredita que possam ser desenvolvidas para manter esse crescimento?
Lázaro – As reformas estruturais que possam desonerar os produtos e promover uma melhor distribuição da renda, capaz de gerar a inclusão de um número cada vez maior de brasileiros ainda excluídos do acesso a bens e serviços dignos. Estas são plataformas de segurança econômica e social que estaremos defendendo continuamente.

GÔNDOLA – O setor é um grande gerador de empregos e recolhedor de impostos. O senhor acredita que isso possa ser um argumento para buscar mais apoio para o comércio junto aos governos?
Lázaro – Como na resposta anterior, as ações de reformas estruturais são a grande justificativa através da qual a Fecomércio Minas estará liderando seus representados nas reivindicações aos poderes públicos para a solidificação necessária do desenvolvimento.

GÔNDOLA – Seguindo o princípio de que “juntos somos mais fortes”, o senhor pensa em buscar a adesão de outras entidades empresarias, como a AMIS, para defender os interesses do comércio de uma forma geral?
Lázaro – O Sistema Fecomércio, SESC, SENAC Minas e Sindicatos Filiados, através das lideranças que temos a honra e o prazer de coordenar, não poupará esforços para conscientizar os companheiros de todas as demais entidades representantes das atividades econômicas que, mesmo juntos, ainda não somos tão fortes quanto os governos, mas unidos podemos conquistar muitos avanços.

GÔNDOLA – Além do seu papel de congregar todo o seu segmento, uma associação empresarial é também, em sua essência, uma entidade política. Em um ano eleitoral, o senhor acredita que fica mais fácil estreitar os relacionamentos com o poder público?
Lázaro – Temos primeiro é que aumentar e fortalecer o estreitamento entre as entidades e enfatizar mais o viés reivindicador, porque nos períodos pré-eleitorais os políticos estão mais sensíveis, devido à maior vulnerabilidade. Manter sempre firme a exigência de que as promessas sejam cumpridas. Certamente, trabalharemos juntos, Sistema Fecomércio, Sesc, Senac Minas e Amis, para defender que as condições para empreender sejam mais justas e que o comércio seja mais respeitado.

GÔNDOLA – O que o senhor espera do País nesta segunda metade de 2010 em termos de crescimento econômico?
Lázaro – Como empresário e militante de entidades de classe do setor econômico, temos, naturalmente, que trabalhar e defender o desenvolvimento do país e das atividades empresariais, com maturidade e zelo pela segurança da estabilidade econômica, tão duramente conquistada. Esperamos que os índices de crescimento se mantenham, e vamos reivindicar investimentos em infraestrutura para sustentá-lo.

GÔNDOLA – O que o senhor gostaria de complementar nesta entrevista?
Lázaro – Primeiro, quero agradecer a oportunidade de manifestar nossa opinião através da conceituada revista Gôndola; segundo, colocar o Sistema Fecomércio, Sesc, Senac Minas à disposição para trabalhos conjuntos em benefício dos nossos representados. Por fim, quero solicitar às lideranças da Amis que nos ajudem a conscientizar alguns empresários do setor da importância das contribuições sindicais para a atuação das entidades. Pois, além de serem estabelecidas por lei, a relação custo-benefício das contribuições é extremamente favorável aos benefícios que geram.

Fonte: Fecomércio Minas