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MEDICAMENTO GENÉRICO CRESCE NO VAREJO NACIONAL


 

Dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) confirmam o avanço o medicamento genérico no varejo nacional. Nos últimos cinco anos, a venda deste medicamento cresceu 170%. Falaremos com Sérgio Mena, presidente executivo da Abrafarma.

Confira a entrevista concedida à repórter Michele Rios 
IN: Quanto o mercado de medicamentos genéricos cresceu no Brasil?
Sérgio Mena: O mercado de genérico esta no mercado há 10 anos e na Abrafarma esse mercado cresce 170% nos últimos cinco anos. Isso quer dizer que você tem hoje uma participação no mercado, nas vendas de medicamentos em torno de 17% e 18%, isso varia muito, tem empresas que a participação do genérico é maior e em outras a participação é menor. Depende da política que a rede opera, mas de modo geral a gente pode falar de uma participação de mercado em torno de 20%. 
IN: E ao que se deve esse aumento?
SM: O genérico é um produto que permite acesso, e isso é muito claro, enquanto você tem, por exemplo, um medicamento tradicional, com profissional que fez pesquisa, que a gente chama de medicamento de referência, vamos supor que ele custa R$ 100,00, o genérico vai custar R$ 50,00 ou R$ 60,00, ou seja, 50% ou 60% do que custaria o medicamento de referência, o medicamento inovador como a gente chama. Então só essa economia de quase metade do preço, isso dá uma diferença para o consumidor enorme. Então evidentemente para alguém que faz um tratamento de hipertensão, do coração e tem pessoas que tem que usar esse tipo de medicamento pela vida inteira, e você teria ao longo do tempo uma economia de metade do preço do produto. Então para o cliente isso é muito importante. Quando um cliente compra esse produto e ele fica fiel, ou seja, ele acaba tendo uma economia e evidentemente ele acaba se fidelizando a rede. É um jogo ganha, ganha. Você tem um mercado que ganha mais porque fatura mais em função de vender mais produtos e o cliente que tem sua necessidade atendida, o seu tratamento é coberto e com 50% do valor que ele pagaria num medicamento de referência. 
IN: Qual a participação dos genéricos no mercado brasileiro?
SM: Nós pretendemos que ele chegue a 50% e hoje esta em torno de 20% e 22% do mercado. Há um grande espaço, se pegarmos um mercado maduro como os Estados Unidos, por exemplo, o medicamento genérico lá representa 70% das vendas. No Brasil nós ainda temos poucas moléculas, ou seja, poucos tipos de produtos que você tem genérico, pois as vezes você não consegue fazer o teste. Para o genérico ser considerado um medicamento genérico ele tem que ser igual a outro medicamento, tem que ter o mesmo efeito no organismo da pessoa. Então ele tem que fazer todos os testes e provar que aquele produto age da mesma maneira que o medicamento de referência dele. Então tem produtos que estes testes, ou são muito caros ou não tem estabilidade suficiente para você conseguir provar que ele age da mesma forma. Então nós temos essa barreira ainda de crescimento de mercado em função de você ter esses produtos e estes testes que não foram feitos. Mas há um potencial de se chegar a pelo menos 50% do mercado. 
IN: Quanto às redes ligadas a Abrafarma somaram em vendas este ano?
SM: A Abrafarma até fevereiro tem 29 redes, que são as 29 maiores redes do país, e a gente tem 38% do mercado brasileiro de medicamento, ou seja, de cada 10 medicamentos vendidos no Brasil quatro passam por uma dessas redes. O mercado brasileiro é muito pulverizado, tem 65 mil farmácias, dessas 29 da Abrafarma, a gente tem 4 mil lojas, então temos uma grande concentração de mercado. A gente esta chegando a R$ 22 bilhões em vendas nos 12 meses até fevereiro e genérico R$ 2bilhões aproximadamente e estamos com um crescimento muito forte. No último ano nós crescemos 26% no mercado de genéricos e nos últimos anos temos esse comportamento bem forte no mercado. 
IN: Os consumidores estão mais adeptos a esse tipo de medicamento? Por quê?
SM: Tudo é uma questão de educação. De se acostumar, digamos assim. De cultura. O genérico no Brasil passou por duas fases: uma primeira de desconfiança, o consumidor achava que o medicamento não agia como o medicamento de referência, o médico também tinha essa desconfiança. Nesse sentido, o papel da Abrafarma foi muito importante para estabelecer a confiança, para provarmos ao consumidor que o produto é bom. Então as redes começaram a colocar gôndolas separadas, prateleiras separadas e isso começou a ter um diferencial e depois o Governo introduziu a famosa tarja com a letra G. E hoje, eu diria que essa cultura já avançou, as pessoas já se acostumaram, os médicos já prescrevem mais,o paciente já busca ele mesmo pelo medicamento. E esse mercado poderia ser maior se o Governo fizesse mais divulgação, se houvesse maior esclarecimento para a população e eu diria que falta conversa, falta divulgação. Se o produto é tão bom quanto o outro então bastaria que as pessoas soubessem ou tivesse conhecimento disso. 
IN: Quantos clientes em média são atendidos nas redes ligadas a Abrafarma?
SM: Em termos gerais nós emitimos 700 milhões de cupons fiscais, a gente mede assim por ano. E então nós realizamos 700 milhões de atendimentos, isso em unidades de caixinhas. Em medicamento genérico isso se desenvolveu melhor em torno de 130 milhões de atendimentos. Se contarmos que tem 200 milhões de pessoas no Brasil, mas a Abrafarma esta só em 350 cidades, nós temos uma média que uma pessoa vai a uma farmácia em média uma vez por semana ou uma vez a cada 15 dias.
 IN: Quanto à população economizou com a compra destes medicamentos?
SM: Se contarmos que o mercado brasileiro ele é de R$ 40 bilhões e o genérico participa com 20% então estamos falando de R$ 8 bilhões. E se o genérico representa 50% do outro preço podemos falar num valor de R$ 4 bilhões ao ano de economia, ou seja, fazendo a conta ao contrário, o cidadão pagaria R$ 4 bilhões a mais para comprar os mesmos medicamentos. Então essa é a conta média que podemos fazer. 
IN: Qual a expectativa de vendas para 2012?
SM: A Abrafarma tem crescido em média de 20% e 25%  e a gente espera fechar esse ano em torno de 23%, 25%, o que elevaria as nossas vendas em torno de R$ 25 bilhões ao ano. A Abrafarma dobrou de tamanho nos últimos 5 anos e então esta crescendo em média 25% ao ano.  E o mercado de medicamentos genéricos esta crescendo em média de 29%, 30% e pretendemos daqui há dois anos esse mercado tenha dobrado de tamanho. A perspectiva para o mercado farmacêutico brasileiro tem algumas projeções de institutos de metodologia e institutos que fazem pesquisas é que entre 2010 e 2015 esse mercado vai dobrar de tamanho, ou seja, em 2015 o mercado vai ser o dobro do que era em 2010. O Brasil é um dos mercados que no mundo inteiro, nessa área farmacêutica, no Brasil, Índia, o BRIC, China, Russia e o México, é uma das grandes estrelas desse mercado emergente.
 
Fonte: Portal Investimentos e Noticias